Calma, muita calma meus amigos.
Hoje mesmo saiu um post com uma música do Não Famoso e do LubaTV sobre juventude atual, expostos em um mundo com fácil acesso a informação, com o Facebook e o Instagram prontos pra compartilhar besteira.
O que acontece é nós estamos presenciando uma época bem complicada. Temos artistas que vendem o sexo e a exposição da imagem como algo fantástico e que ao mesmo tempo enchem o mundo de conceitos distorcidos de moral. Tá aí Miley Cyrus pra justificar um pouco isso. Em seus clipes, numa tentativa bizarra de se apresentar como “artista madura e mulher” ela parece uma emulação adolescente de uma visão feminina, livre para agir quando se trata de sexualidade, mas só uma tentativa que grita desesperadamente por atenção…
A jovem Miley se esfrega em tudo, mas não convence. Para mim, não parece existir muita verdade em sua escolha artística, afinal quem tá enchendo o cu de grana é o empresário, então foda-se.
O canal Invento Na Hora fez uma paródia que esbarra nesse assunto, com base no clipe Wrecking Ball, da… vocês sabem.
A paródia fala de uma menina que é cheia de piranhagem na Internet, mas na frente da família é um exemplo maravilhoso. A paródia se encaixa muito bem, além do contexto do roteiro do vídeo onde ELA e seu empresário colocaram acidentalmente naquele VMA questões sobre as quais todo mundo finge não se importar.
Curiosamente, as mesmas pessoas que exploram e defendem um comportamento de liberdade na vida ou nas redes sociais, parecem ostentar comportamentos um pouquinho, … moralistas! Inclusive eu fico com um pouco de receio de soar moralista nesse conjunto caótico da obra, não é mesmo a intenção. Mas você se pergunta muito quando vê moleques muito novos ostentando comportamentos de, sei lá… um “rapper americano que escreve lixo sobre o que tem e o que compra”, ou quando vê meninas muito novas agindo na internet como a Miley, ou como as estrelas das revistas que são famosas… por serem famosas? Ser sexualmente interessante, ostentar poder, popularidade e ao mesmo tempo massacrar, culpar, exigir comportamentos e discriminar.
No vídeo “We Can’t Stop”, Miley se mostra em uma festa onde tudo é regado pelo excesso. A caveirinha de junk food e as fumacinhas saindo dos peruzinhos e bucetinhas dizem exatamente o que querem dizer: “target in my life – trepar”! Enquanto ela se esfrega em tudo que é possível, dá uns tapinhas numas bundinhas e dança com ursinhos de pelúcia fazendo-me devanear sobre alguma coreografia de música do seriado Chaves. Em nenhum momento isso soa real, propositalmente provoca desconforto. Mas só. Onde querem chegar?
Enquanto isso, como no vídeo do Invento Na Hora, uma parte da galera tem se comportado na Internet como se estivesse nessa festa, em seu próprio clipe diário onde todos são espectadores. Somos todos estrelas de nossos próprios filmes, recompensados em likes, compartilhamentos e não necessariamente criando algo por isso. Longe de querer parecer mala, claro que você pode compartilhar seus momentos e suas ideias, mas toda essa exposição pode estar criando pequenos monstros da auto exposição e contribuindo para um mundo bem bosta. Deveria até ser estranho a gente usar o clipe da Miley Cyrus como exemplo, quando a gente tem o funk das meninas do Quadradinho de Oito ou o Axé dos anos 90 contribuindo quase que da mesma maneira quando se trata de objetivo de vida.
Culpar a música é bem babaca, é como culpar o videogame por assassinatos. Mas observar que a música faz parte de um contexto econômico e social te faz entender onde é que esse buzão da humanidade pode fazer o ponto final. Se existe uma Miley: conflituosa com sua imagem entre menina e mulher, um Justin Bieber com o mesmo problema em mudar de camada de público, é por que o nosso mundo os criou. Tem um documentário chamado ”Criança: A Alma do Negócio”, que vi há um tempo atrás sobre a relação da publicidade e propaganda com as crianças. A necessidade de se criar públicos consumidores logo cedo: meninas modelos e meninos heróis que serão “adolescentes” por muito mais tempo, que consumirão no melhor período para comprar e se importar com isso. Nossas Mileys, Justins e até as meninas do Bonde das Maravilhas estão aqui para isso… ou esse clipe que começa com um aparelho da Beats de 199 dólares tá querendo me dizer outra coisa? É ligando os pontos que a gente entende o mural do Facebook que o carinha do clipe lá de cima falou, a necessidade de exposição de todo mundo, e etc etc mudo capitalista etc etc tiozão chato de 25 anos etc etc.
Esses dias, fiquei sabendo pelo YouPix que existe uma categoria de autoretrato que mostra um pouco da geração que o clipe principal desse post critica. Uma molecada que vai em enterro e tira auto retratos fazendo biquinhos e poses no espelho. Seria cômico se não fosse estranhamente insensível. É onde o limite da zuera esbarra de leve, exatamente quando algum familiar menor de idade tá se ~mostrando na internet~ ou até coisa pior.
“Você nunca dá valor ao que tem, até que isso vá embora. Descanse em paz, vôvô. Vou sentir saudades.” (tudo bem a despedida.. agora, PRA QUE esse tipo de foto provocativa ?)
Quando a gente, da safra de 80/90 começa a se questionar a respeito do pessoal das safras mais recentes é por que tem coisa muito errada rolando… Ou a gente tá ficando chato mesmo. Não espero das pessoas uma postura neutra e morta. As pessoas devem se expressar, inclusive os ~novinho~ e as ~novinha~, mas refletir sobre o que estão valorizando também deveria ser parte desse pensamento. Ostentar, exibir, vender a própria imagem? Fotografar a bundinha para ganhar uns likes, pra chamar a atenção de quem? Da sua escola? Do menino que gosta? Pra quê?
Muita calma, pessoal… Ainda tem vida pela frente e nem todo mundo é tão desesperado por atenção como mostrado nos dois vídeos acima, são casos. Acontece e realmente não necessariamente com uma única faixa etária. Fica a reflexão, pra pensar a respeito de que rumo a gente quer tomar.


